quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Arquitetura e a água


Antes de qualquer coisa é importante entendermos a escala que estamos trabalhando para delimitarmos e projetarmos de maneira coerente e específica. Podemos intervir desde uma escala de cidade e focando no planejamento urbano como a revitalização de zonas portuárias, margens de rios, lagoas etc. Ou até uma micro escala como um espelho d’água no interior de uma residência.

2° Lugar: Concurso de Ideias Requalificação e Renovação da Praia e Orla de Figueira da Foz e Buarcos / atelier RUA


A importância de saber administrar essa escala se baseia na quantidade de informação que nos rodeia e que devem ser levada em conta na hora de projetar. O projeto de larga escala como a revitalização de partes da cidade apresenta uma complexidade da ordem de infraestrutura, social, mobilidade entre outras, fazendo com que o desafio seja adequar todos os pontos de maneira com que não se torne algo desconexo da cidade e interagindo com outras áreas como da geografia, ciências sociais, economia, etc. Da mesma forma, um pequeno projeto residencial possui certa complexidade também pois criamos os espaços de trocas e relações das pessoas que ali vão estar durante parte do dia.
Mas qual é a importância da água nos nossos projetos?! São vários os pontos positivos para a inclusão dela e eles também vão estar ligados pela escala e para qual função ela deverá desempenhar. Podem servir tanto para a umidificação de uma região muito seca como o Lago Paranoá como para funcionar em uma fonte num jardim japonês. O que podemos afirmar é que a água traz movimento e simboliza a pureza por sua transparência.
Jardim residencial
pinterest

É interessante como a água pode dar valor a um determinado espaço ou construído ou natural. As pessoas buscam a tranquilidade e o contato mais direto com esse que é um dos elementos mais importantes da natureza, ou ao redor da piscina do sítio no final de semana ou na fonte no centro de São Paulo. Dentro dos consagrados projetos de arquitetura são vários os exemplos que poderíamos destacar que possuem essa ligação com água, um dos clássicos é a casa da cascata de Frank Lloyd Wright onde ela é erguida parcialmente sobre uma pequena queda de água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes.

Assim trazer a água para os nossos projetos ou escolhermos locais onde ela já existe podem tornar o resultado final muito melhor, potencializando o seu uso e criando uma atmosfera diferenciada no entorno do mesmo. Pois arquitetura é isso, não simplesmente 4 paredes ou árvores espalhadas sem objetivos, é saber servir-se de todos os recursos que nos é oferecido e incorporando os mesmos e potencializando nosso projeto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A atitude contemporânea e a relação com o passado

           
             Ao longo de toda a existência da arquitetura propriamente dita e seu entendimento como tal, diferentes ciclos foram incorporados por ela e caracterizando-a de diferentes formas. A arquitetura assim como a arte passou por diferentes períodos onde as necessidades são diferentes, o programa difere, o contexto muda e o período em que está inserido também. Geralmente essas mudanças ocorrem com mudanças da sociedade e de suas necessidades, como por exemplo o movimento renascentista que traz de volta características do clássico para depois acabar sendo rompido pelo barroco.
          O movimento moderno não é diferente, surge como uma resposta ao eclético e em relação direta com o avanço nas técnicas de construção e a necessidades que surgem pelo período, como o caso da segunda guerra que gerou uma demanda considerável por moradias. Surge a Bauhaus e o racionalismo arquitetônico atinge o auge com a 'máquina de morar' ou seja arquitetura moderna acaba virando um estilo e assim indo contra algumas necessidades que vão surgindo na sociedade, pois essa não é estática e não é produto pronto.

Ministério de Saúde e Educação


            Já no final dos anos 60 há um rompimento no movimento moderno de Mies, Le Corbusier, entre outros e temos o início de um novo ciclo conhecido como pós-moderno. A partir desse momento vão surgir vertentes diferentes dentro dessa arquitetura produzida no pós-modernismo e essa diferença entre elas ocorre em curto espaço de tempo e por vezes num mesmo período. Logo de início como uma resposta ao racionalismo surgem projetos totalmente diferentes e ambiciosos como elaborados pelo grupo archigram e experimentações que se utilizam do desconstrutivismo dentro das obras.


            Relacionando essa evolução e as características que se desenvolveram ao longo desses períodos com a atitude contemporânea e o modo com que projetamos nos dias atuais, percebemos características do pós moderno como a alta tecnologia que hoje está relacionada principalmente com questões de sustentabilidade como por exemplo a utilização de placas fotovoltáicas que passam a compor a fachada e outros elementos. 
               Há ainda a arquitetura com traços fortemente artísticos e plásticos propostos por Santiago Calatrava e que nos remete as instigações do início do pós moderno. O contextualismo de Aldo Rossi respeitando o local de inserção relacionamos com o quarteto moderno que acaba por gerar a forma pertinente e o respeito ao lugar em que estamos inserindo a edificação.
           Assim, a arquitetura contemporânea pode ser descrita como uma resposta a toda essa instigação produzida pelo pós moderno e pelo desenvolvimento das técnicas e materiais. Possuímos uma gama enorme de possibilidades e modos de projetar e dar as respostas que a sociedade atual nos pede, sempre trabalhando com o que aprendemos que compreende a arquitetura. Porém nunca deixando de instigar e projetar e acabar por seguir um padrão único e definido, caindo novamente no mesmo problema do movimento moderno.