A cidade começa a se consolidar com maior intensidade na revolução industrial e que acabou trazendo um grande número de pessoas que antes habitavam os campos para a área urbana. No início não se tinha um claro modo de organização e por vezes as cidades eram insalubres e degradadas até teóricos perceberem a necessidade de uma mudança e o surgimento de propostas urbanísticas para as áreas urbanas. O conceito que surge com grande força nessa nova fase de organização das cidades é o urbanismo moderno e a arquitetura moderna, com o ideal de transformar não só as cidades e a arquitetura mas também o modo de vida das pessoas.
A chegada do modernismo vem romper a continuidade histórica. O planejamento através das distinções de habitar, trabalhar, circular e recrear rompe muitas vezes com a memória do lugar e o individualismo impera dentro deste conceito. Além disso a segregação dos espaços gera graves conflitos de todas as ordens como por exemplo a criação de vácuos urbanos sem vida e com problemas com violência e degradação. Isso demostra como nem sempre a teoria que é tão boa no papel pode ser aplicada com eficácia na cidade, muito em decorrência do complexo modo que as pessoas absorvem certas informações. Um claro exemplo da nossa realidade na cidade de Caxias do Sul é a ocupação da UCS como um grande parque sendo que trata-se de uma área privada porém aberta ao público e por vezes outras praças e áreas públicas acabam não sendo ocupadas.
Contudo, em meados da década de 60, começa-se a reestruturar o pensamento da sociedade em relação ao planejamento urbano, surgem grandes críticas ao urbanismo moderno como o livro de Jane Jacobs e que ainda é uma grande análise do nosso modo de organizar a cidade, e há uma profunda reflexão de como queremos as cidades. Os espaços que anteriormente eram espaços sem vida, agora buscam um planejamento em escala humana, preservando e revitalizando locais de valor histórico. Áreas que encontram-se sem uso dentro da cidade tornam-se oportunidade de renovação e revitalização em zonas que dentro do núcleo urbano estavam abandonadas e que agora podem tornar-se vivas novamente. No Brasil, isso também ocorre no final dos anos 70, num momento de grande crescimento da economia do país criando a necessidade de novos espaços, assim os projetos dirigem-se na intervenção de edificações já existentes dando um novo uso a mesma.
Entretanto junto com essas novas intervenções urbanísticas um fator por vezes aparece criando conflitos. Ele surge pelo desenvolvimento da sociedade capitalista e pelo modo que ela se utiliza de ocupação do solo. A negligência de profissionais da área urbanística acaba fazendo com que a especulação imobiliária dite alguns tratamentos de uso do solo e assim influenciando no planejamento da cidade e interferindo nesses ensaios de requalificação de áreas urbanas. Há descentralização das cidades e com isso algumas zonas se prevalecem com determinados equipamentos públicos em detrimento de outras. Por exemplo, a classe mais abastada da sociedade acaba ocupando nova parte do território da cidade e em consequência grande parte dos equipamentos de uso público e privado como shoppings, restaurantes, e outros acabam por acompanhar essa mudança no território tornando a outra abandonada e com sérios problemas de gestão dos recursos.
Assim, retomando a ideia da requalificação urbana, é necessário um aproveitamento de edificações já existentes, ciando potenciais de desenvolvimento dentro da cidade. Esse processo de qualificação não se limita a apenas edificações mas também a áreas inteiras de uma cidade, que acabaram abandonadas e com grandes problemas, criando assim novas zonas e centros, humanizando áreas esquecidas da cidade e que possuem grande potencial. Trazer a luz da sociedade todo esse patrimônio e historia que se observa pelas nossas cidades é o motor fundamental da nossa cultura e desenvolvimento humano.





















