terça-feira, 12 de setembro de 2017

A região metropolitana da serra e o trem regional


     A troca do modelo ferroviário para o rodoviário que aconteceu no Brasil nos anos 50 com uma grande quantidade de automóveis entrando no país, acarretou uma série de problemas que nos últimos anos estão no limite do esgotamento. O transporte tanto de cargas quanto de passageiros acabou transferido quase que totalmente para as rodovias através de ônibus, caminhões e carros principalmente. O transporte de passageiros por trens, com exceção dos trens metropolitanos, inexiste no que tange a mobilidade entre cidades e estados. Esse é um dos grandes equívocos que o abandono dos trens de passageiros causou. Se no início do século XX podíamos ir de Caxias do Sul a Porto Alegre e outras cidades de trem hoje isso não existe mais.


     Atualmente há um anseio e uma necessidade clara para a implantação de um transporte alternativo ligando os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa, Farroupilha e Caxias do Sul, por se tratarem das principais cidades que atualmente formam a RMSG (Região Metropolitana da Serra Gaúcha), de acordo com estudos cerca de 40.000 pessoas se deslocam pela região no chamado movimento pendular.  A Labtrans (Laboratório de Transportes e Logística), centro de pesquisa de trânsito vinculado à UFSC, entregou em 2013 o estudo de viabilidade técnica, econômica, financeira, social e ambiental do trecho Caxias do Sul - Bento Gonçalves. Também já está incluído como prioridade para o governo federal, o investimento nesse mesmo trecho.


     A imagem acima demonstra em vermelho o traçado original que o Trem passava na região. Devido ao tempo muito elevado que essa linha demoraria para ligar as 2 principais cidades da Região Metropolitana foi proposto um novo traçado que é o indicado como B. Desse modo o tempo ficaria menos na ligação Bento – Caxias porém seria necessário uma estação de integração que depois conecta-se novamente as cidades de Garibaldi e Carlos Barbosa. Com essa proposta temos um parecer positivo em relação a viabilidade da inserção de tal equipamento de mobilidade na serra. Alguns dados colhidos a partir do relatório do trabalho de conclusão de curso do Eduardo... demonstram com maior clareza a viabilidade do trecho.


Modelo proposto

   Concluíndo então, as cidades de médio e grande porte vem sofrendo cada vez mais com os problemas de mobilidade, grande parte em função ao uso excessivo do veículo particular e a uma falta de planejamento urbano. A atual Região Metropolitana da Serra Gaúcha ( RMSG ) não está livre desse problema. Apesar de estar pronto o estudo de viabilidade do VLT da região ainda não há perspectivas de implantação do modal. Percebe-se a falta de planejamento conjunto entre os municípios para resolução dos problemas macro e também problemas de ordem política como tudo nesse país.
     Uma região que teve grande parte de seu desenvolvimento pautado no transporte ferroviário, que aqui chegou no início do século XX trazendo toda sua capacidade de transformação, não pode deixar de pensar no VLT como esse modal, do novo século , e incorporá-lo a lógica da cidade e usufruindo de suas benesses. Já foi confirmado por meio de inúmeros projetos suas vantagens perante outros tipos de transporte numa avaliação de médio a longo prazo e é nisso que o planejamento urbano se baseia quando projeta meios para atender uma demanda futura.


Proposta do Terminal principal de Bento Gonçalves

Trabalho de conclusão de curso

     Essa foi minha proposta para o terminal em Bento Gonçalves do trem regional, esse é o tipo de equipamento que poderia aparecer em todas as cidades que estão dentro do estudo de viabilidade do trem regional e que por falta de uma gestão séria e um comprometimento com a sociedade acaba por estar largado dentro de alguma gaveta.