quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O croqui

croqui - projeto arquitetônico IV

O croqui, o esboço arquitetônico, o desenho, etc. Cada um pode chamar do que quiser, gosto de pensar como sendo a concepção projetual transferida para o papel, ou seja, aquela ideia que está materializada e linda na sua cabeça, gráficada de modo prático. Cada pessoa, seja ela, um arquiteto, designer, engenheiro e tantos outros, tem um modo de projetar diferente. A evolução tecnológica trouxe muitas ferramentas mas nenhuma tão boa como o papel e a caneta, ao meu ver.

croqui - projeto arquitetônico III

Há hoje claramente uma dependência tecnológica dos estudantes de arquitetura. Pouco vejo de lançamentos de partido a mão quando caminho pelos corredores do campus 8 / UCS e acredito que isso acarreta uma perda de capacidade de resolução direta e prática do objeto arquitetônico. Não que ele não possa ser resolvido diretamente no computador, porém a dificuldade é bem maior.

croqui - atelier I

Logicamente que isso muda de pessoa para pessoa. Eu sempre gostei de desenhar e rabiscar, nunca tive grandes problemas na faculdade de arquitetura com o desenho a mão livre e isso me ajudou muito na hora dos lançamentos dos partidos ao longo do curso. Além disso, quanto mais precisão e controle sob o que tu estás fazendo mais rápida será a resolução do mesmo no desenho técnico.

croqui - Atelier II


E não estamos falando de nenhuma obra de arte, geralmente o croqui é uma bagunça, uma montoeira de linhas que aos olhos do leigo é um borrão. Porém, dali podem sair as formas mais belas que o arquiteto irá criar, ou simplesmente, dali sairá a resolução do problema ao qual ele foi solicitado resolver.

croqui - projeto arquitetônico IV


Desse modo, trago aqui essa reflexão e crítica sobre o modo de projetar. Não confio muito em projetos que nascem prontos, o papel, a caneta, as ideias, os rabíscos são fundamentais no processo arquitetônico. 

croqui - Trabalho de conclusão

Finalizo essa postagem com o croqui que me rendeu o partido e posteriormente a aprovação no TCC. O conceito e as diretrizes do meu projeto estão todas inseridas nesse contexto de rabiscos acima, esse é o grande desafio, pois após resta apenas o trabalho braçal.















quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Provocações: Porque habitação para pobre é sempre colorida?


     Caso esteja lendo isso, acredito ter conseguido o objetivo de provocar você. Esta é a ideia dessa nova série que começo aqui no blog, promover a discussão sobre pontos que encontramos dentro da arquitetura e do urbanismo que passam por vezes despercebidos.
     

     Obviamente que habitações de interesse social não são sempre coloridas, e se forem, sabe qual o problema? Nenhum! Digo ainda que tem muitas composições de cores que me agradam e que tornam os projetos aprazíveis aos olho de quem vê. Contudo essa tendência de colorir existe e por vezes geram fachadas compositivamente ruins (ao meu ver) como a da imagem acima, que mais parece um lego gigante.



     Muito diferente é esse outro projeto, mais elegante e agradável. O que mudou? Basicamente as cores. Ambos possuem a marcação das lajes na fachada, um mais ressaltado que o outro sim, possuem os brises em forma de painel, tem a vegetação presente, entre outros pontos. Agora pense, qual que lhe agrada mais?  
   E isso não limita-se a edificações, existe muita `` maquiagem `` urbana em locais de vulnerabilidade social onde, para passar a impressão de melhoria na qualidade de vida, jogam uma aquarela gigante sobre as casas, como se isso fosse resolver por exemplo o problema do saneamento básico. 
     Por fim, que fique claro que esse texto provocativo não quer desmerecer muitos projetos ótimos que se utilizam do ``lego colorido`` mas sim causar nesse blog.


Qual a opinião de vocês?















segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Experiências: TCC, da mobilidade regional a zoeira sem limites.



Esse é um pequeno relato dos últimos 2 semestres, onde produzi meu trabalho de conclusão e toda a jornada que foi. Vou tentar expor o processo, desde o mais sério até o momento em que a zoeira entra em cena.


     Escolhi ingressar nesse curso pela vontade de trabalhar com mobilidade urbana. Nada mais que óbvio o tema ter me acompanhado até esse momento do TCC. Quando, no estudo do plano de mobilidade da cidade de Bento Gonçalves, percebi que já existiam planos para criação das futuras estações do trem regional ficou claro para mim o que seria meu projeto, ele estaria diretamente ligado a questão do trem, mais especificadamente uma estação intermodal.
      No primeiro semestre do trabalho lançamos o partido, foi o momento mais difícil, pois partimos geralmente do nada e propormos algo que será avaliado se tem competência para seguir até a próxima etapa. Além disso, se você quer mais dificuldade procure sempre temas urbanos, quanto maior a sua loucura maior poderá ser a queda ou também a sua vitória. 

Cada um tem uma forma de projetar, pessoalmente gosto muito da caneta e do papel

    No segundo semestre da jornada basicamente produzimos o anteprojeto e o detalhamento (e a zoeira também). O primeiro mais estressante pela quantidade de material que se produz, o segundo mais técnico e preciso e a zoeira, bom essa é sem limites então pode ser feita na quantidade e como ficar melhor. Dar boas risadas no momento de cansaço ajuda bastante. Logo se você estiver iniciando o trabalho prepare a zoação e compartilhe.

Resultado final - Estação intermodal

     A imagem acima demonstra o resultado final do projeto que me propus a fazer no TCC, a edificação é relativamente simples formalmente porém a complexidade está em toda a resolução de funcionalidade dela e mobilidade que ela necessita.  `` Bah, nao gostei desse painel escuro`` bom, azar o seu, um projeto nunca tem fim e nunca será perfeito, o que devemos fazer é tentar nos aproximar ao máximo do melhor. Tah e a zoeira?

Sendo bem recepcionado na estacão 

     A zoeira entra em todo o processo de construção do projeto, esse método de apresentação é muito bom para demonstrar o trabalho pois acima de tudo ele faz com que a pessoa pare e observe o mesmo.

Segue a campanha do Pedro #voltapagnussat

     Não limite-se aos amigos, pode incluir os professores também, a curtição deve ser compartilhada com todos os mais chegados. 

Depois da entrega final

     Por fim, todos sabemos a tensão que o trabalho final traz para as pessoas, mas calma que no fim tudo vai dar certo.

   














sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Arquitetos e Urbanistas: Os médicos da cidade


     Nossas cidades estão doentes, percebemos isso logo ao caminharmos por elas. Algumas melhores, outras piores, mas no geral todas apresentam os mesmos sintomas, a falta de arquitetos e de planejamento. Uma cidade é um organismo vivo assim como nós, e por conta disso merece o seu devido cuidado.

     Gosto muito dessa analogia entre as cidades e as pessoas. Ambos precisam de alguém que lhes acompanhe, o médico que cuida da criança e acompanha seu desenvolvimento, o arquiteto que cuida da cidade e propõe o mesmo. Ambos trabalham em equipe seja o médico com os enfermeiros, técnicos, bioquímicos ou o arquiteto e os engenheiros, sociólogos, geógrafos etc. Ambas criaturas podem adoecer e são eles que podem tratá-las e oferecer a chance da recuperação e é nesse ponto que algo não acontece nas nossas cidades.



     Há antes de tudo um problema de gestão pública e planejamento pois as pessoas ainda não percebem a cidade como algo que precisa de tantos cuidados como um ser vivo. Nada pode ser feito ou curado de um dia para outro. Um bairro que tornou-se inseguro e com problemas estruturais não mudará da noite para o dia assim como a pessoa que fraturou uma parte do corpo provavelmente não se recuperará sozinha.



     Precisamos de arquitetos e urbanistas nos órgãos públicos, precisamos de arquitetos que pensem a cidade, que trabalhem em conjunto, que pensem além do seu umbigo. Enquanto caminharmos por lados contrários continuaremos nesse estado de letargia e enquanto nos médicos da cidade estivermos assim, nossas cidades continuarão sangrando, até o momento do seu falecimento.

Precisamos falar mais sobre Arquitetura, sobre Urbanismo, sobre cidades.


Precisamos ser mais Arquitetos e Urbanistas!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Experiências: A vida de formado


Então pessoal, nesse texto da série ``experiências`` aqui do blog, vou dar spoiler de como é a vida depois de acabar o curso de Arquitetura e Urbanismo, logo prepare-se! 



Não muda nada! Se você  deu entrada no apartamento, saiu de casa e comprou um carro novo sem demora estará no serasa, hehehe não é um pedaço de papel que trará grandes mudanças na sua vida (sorry),  na verdade é você quem decide o que ela irá virar.


Essa postagem foi uma pequena zoeira para quebrar o gelo do blog.