Continuando o tema da última postagem, o campo da conservação e do restauro arquitetônico é algo muito subjetivo e complexo, o modo de agirmos e intervirmos no patrimônio edificado, requer não apenas habilidade para o mesmo, mas sim uma interlocução multi-disciplinar, que dará o suporte necessário para que o arquiteto tenha o maior conhecimento possível para intervir no monumento. Contudo o que mais vemos ao caminharmos pelas nossas cidades, e eu falo pela minha, são intervenções agressivas e descaracterizantes que de nada acrescentam ao objeto e muito menos a memória cultural vinculado ao contexto da edificação.
Fonte: Google
Algo muito comum aqui é a preservação de fachada, como se ela fosse a arquitetura propriamente dita. Arquitetura trata de espaço construído, de materialidade, de técnica e não simplesmente de superficialidades. Ao optarmos pela destruição do objeto e conservação apenas da sua fachada principal colocamos a baixo todo discurso que embasa o nosso dever perante um monumento à ser preservado.
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Do mesmo modo que a cidade foi se transformando com o passar dos anos, as edificações e suas características também assim o fizeram. Os traços da arquitetura da época podem ser percebidos assim como características típicas locais. Contudo o que vemos agora é a total descaracterização aos prédios que contam uma parte da nossa história.
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As vezes nem resta mais o original, a imagem acima mostra um conjunto de casas junto a estação férrea da cidade de Bento Gonçalves. A primeira, como percebe-se, foi demolida e no lugar foi construído essa edificação totalmente desconexa e inadequada, com a intenção, a princípio, de remediar o erro cometido.
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Por fim eu deixo essa imagem, preservando e valorizando, não sei o que, boa parte da estrutura já foi abaixo, a conservação do original autêntico já se perdeu, a identidade visual também e bem provável que a espacial vá mesmo para o espaço.
Como já dizia Neil Young, "...It's better to burn out, Than to fade away..."




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