quinta-feira, 14 de março de 2013

Arquitetura como Instrumento Social


         Se existe algo em que os arquitetos de hoje têm que pensar é no social. O problema das habitações no Brasil, tanto a falta quanto a má qualidade, é preocupante se pensarmos que estamos em pleno século XXI e ainda não conseguimos implantar todos os conceitos do modernismo surgido a dezenas de anos atrás.
         A falta de moradia adequada para o povo sempre foi um problema constante não só neste país, mas em toda América Latina. O rápido e irregular crescimento das nossas cidades acabou gerando esse estigma que se está tentando mudar com a construção e financiamento de casas e apartamentos populares, mas, são estas, obras arquitetônicas? Sabendo que arquitetura é algo superior ao comum segundo seu conceito e é nossa função fazê-la, o que está acontecendo?
         O que se percebe atualmente é que arquitetos não produzem arquitetura e sim meros volumes no espaço e que o dinheiro, o lucro, comanda o espetáculo da não arquitetura na contramão do social, do direito do povo de poder morar com dignidade. Ora bolas, quanto menos se gastar com projeto, planejamento, materiais e mão-de-obra qualificada maior será o lucro. Esse é o modelo de construção na maioria das edificações.
         O grande problema do modelo capitalista em que vivemos é esse, de não se ter mais medida para a obtenção dos lucros. A especulação imobiliária dita o funcionamento das cidades e não, o povo e suas necessidades. Vivemos reféns de pessoas que se utilizam de poder para conseguir qualquer coisa a qualquer custo.
         Desse modo, no dia em que a arquitetura for aplicada como instrumento social poderemos sim construir moradias dignas para a população, não visando o lucro, mas sim, o seu bem-estar. Teremos o orgulho de dizer que estamos mudando a vida para melhor, que arquitetura é a construção superior e que o arquiteto é o seu mestre.

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