Se existe algo em que os arquitetos de hoje têm que pensar é
no social. O problema das habitações no Brasil, tanto a falta quanto a má
qualidade, é preocupante se pensarmos que estamos em pleno século XXI e ainda
não conseguimos implantar todos os conceitos do modernismo surgido a dezenas de
anos atrás.
A falta de moradia adequada para o povo sempre foi um
problema constante não só neste país, mas em toda América Latina. O rápido e
irregular crescimento das nossas cidades acabou gerando esse estigma que se
está tentando mudar com a construção e financiamento de casas e apartamentos
populares, mas, são estas, obras arquitetônicas? Sabendo que arquitetura é algo
superior ao comum segundo seu conceito e é nossa função fazê-la, o que está
acontecendo?
O que se percebe
atualmente é que arquitetos não produzem arquitetura e sim meros volumes no
espaço e que o dinheiro, o lucro, comanda o espetáculo da não arquitetura na
contramão do social, do direito do povo de poder morar com dignidade. Ora
bolas, quanto menos se gastar com projeto, planejamento, materiais e
mão-de-obra qualificada maior será o lucro. Esse é o modelo de construção na
maioria das edificações.
O grande problema do modelo capitalista em que vivemos é
esse, de não se ter mais medida para a obtenção dos lucros. A especulação
imobiliária dita o funcionamento das cidades e não, o povo e suas necessidades.
Vivemos reféns de pessoas que se utilizam de poder para conseguir qualquer
coisa a qualquer custo.
Desse modo, no dia em que a arquitetura for aplicada como
instrumento social poderemos sim construir moradias dignas para a população,
não visando o lucro, mas sim, o seu bem-estar. Teremos o orgulho de dizer que
estamos mudando a vida para melhor, que arquitetura é a construção superior e
que o arquiteto é o seu mestre.

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