Fonte: Memórias de Bento
Neste pequeno texto, quero trazer alguns pontos de vista para que possamos discutir o que queremos para as nossas cidades. Trataremos da paisagem urbana, aquela vinculada a memória, ou seja, aquilo que temos na lembrança da nossa cidade, dentro do contexto da estação férrea de Bento Gonçalves. A estação foi um grande vetor de desenvolvimento da cidade e encontra-se num ponto estratégico do município. A presença de turistas circulando pelo local é grande, devido a própria estação que hoje promove passeio com a maria fumaça, porém esses vem e vão e nós moradores permanecemos.
Dentro desse contexto urbano local, sempre considerei a estação um nó de ligação dos mais diferentes pontos da cidade. Pelo eixo norte-sul da própria ferrovia, pelas escadas ao longo dos pontos e pelos caminhos criados das próprias pessoas que cruzavam a área. O sítio plano sempre realçou os prédios históricos da região e a visibilidade trazia mais segurança ao caminharmos pelos passeios do entorno.
Essas lembranças estão diretamente ligadas a memória dessa região, não só minha mas provavelmente de toda população do entorno. Todo potencial que essa área possui vai aos poucos sendo apagado em decorrência da falta de sensibilidade e de critérios de intervenção corretos.
De que adianta agradarmos aos turistas que estão dentro da área e darmos as costas as pessoas que caminham pelo seu entorno? Além é claro do bloqueamento dos caminhos que cruzavam a estação.
Reconheço que houveram melhorias e da importância de tal equipamento como vetor turístico da cidade, contudo, são esses os momentos em que devemos ter cautela (euforia econômica parcial) pois a vontade de algumas pessoas não pode interferir num contexto urbano de preservação. Já houveram perdas lastimáveis no entorno e devemos estar atentos, não só as edificações, mas também a paisagem que estamos perdendo.
E eis que agora começam a aparecer cercas em diversos pontos da estação e começo a me perguntar se é mesmo o que estou pensando que ira acontecer. A sequencia das imagens demostra a clara modificação na paisagem, porém mais grave que isso seria limitar e bloquear o acesso a essa importante área aberta da cidade ( o que já está ocorrendo).
Sinceramente quero acreditar que essas telas instaladas tenham uma boa justificativa para ali estarem e que sejam provisorias, do contrário, essa é mais uma batalha que perdemos no campo do urbanismo e na gestão dos espaços abertos na nossa cidade.
Finalizo com uma foto montagem da área que realizei dentro do meu trabalho de conclusão e não estou aqui para dizer que é isso que deve ser feito, mas sim, que já passou da hora do poder público olhar para essa área como um potencial parque urbano e entregar de volta para todos nós a área da estação férrea.
Onde estão os Arquitetos e Urbanistas da cidade?
Onde estão as entidades do setor?
Onde esta a prefeitura?
Onde...






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